No more war= não a guerra
Part 1
Em Abril de 2013, mergulhámo-nos naquela que chamaram de conflitos armados, não aceitaram que dissessemos que estávamos em guerra. Para eles, não se tratou de guerra porque não tinha sido declarada. Sendo (declarada) como não, cidadãos civis morreram, assistimos casos em que pessoas eram incineradas dentro da viatura, povo andou horrorizado.
Basta!
Houve paralização da actividade escolar, hospitalar, houve fome, pois a agricultura de cabo curto de que Moçambique depende para o sustento do povo foi posto em causa porque com o tam-tam das metralhadoras, o pacato camponês não ia à machamba, procurava refugiar-se junto à família num lugar supostamente seguro.
Basta!
Esses episódios aconteciam enquanto a N1 estava condicionada, as pessoas viajavam de colunas e sob riscos, porque em consequência disso, muita gente morreu, mesmo com escolta.
Basta!
Como forma de acabar com isso, foram redobrados mecanismos de negociação entre o Governo e a Renamo, o que resultou mais ou menos em cento e tal rondas de Negociação inconcensuais. Entratanto, foi nas vésperas das festividades (Dezembro) do ano 2017 que para sempre e incondicionalmente, o "saudoso presidente" da Renamo, Afonso Macacho Marceta Dhlakama (que Deus o tenha) anunciou o fim das hostilidades (como eram designadas) e de lá para cá, vivemos tranquilos, pese embora a condição de vida difícil e pobreza que assolou o bolso dos moçambicanos.
Basta!
Após as eleições autárquicas de 10 de Outubro corrente, aliado aos supostos ilícitos eleitorais anunciados por todos organismos directamente envolvidos no processo, a partir da campanha eleitoral até à votação, levaram à exaltação de ânimos por parte dos partidos que mostraram evidências de tais ilícitos terem condicionado nos resultados, ao ponto de a Renamo, em nome do seu presidente interino "ameaçar" paralizar as negociaciações em curso com o Estado.
Com efeito, após as declarações, muitos analistas e usuários das redes sociais vêm criando convulsões, alimentando os outros, o terror, acreditando num possível retorno à guerra. Mas eu julgo que o pronunciamento de Ossufo Momade está sendo mal interpretado. O rompimento das negociações pode não significar o retorno à guerra. O que ouvimos de pessoas são meras especulações, Julgo!
À semelhança disso (má interpretação) julgo, ocorreu aquando da entrevista dirigida ao Sr. Eduardo Mulembwe pela mídia, sobre a possível negociação entre Frelimo e a Renamo sobre eleições havidas na Matola que dão margem mínima de vitória ao partido Frelimo (contestada pela Renamo), no que Mulembwe em poucas palavras rematou: "não há qualquer negociação com a Renamo sobre os resultados das eleições na Matola." Há quem satirisou e classificou tais palavras como ofensivas, não humildes, aliás, como afronta à oposição, Renamo. Mas se calhar falou e disse aquilo por força de expressão e não como, necessariamente, se especula. Julgo!
Há quem apoia a guerra?
Acho que sim (?!)
Apoia a guerra,
Quem a cauda está em Moçambique e o corpo está no estrangeiro;
Quem por interesses pessoais ou grupais gosta ver o povo, que somos, a sofrer;
Quem não está comprometido com o povo;
Quem não deseja o desenvolvimento do povo...
Basta!
Não queremos mais sofrer. Em qualquer que seja a guerra, nós o povo é que sofremos. Em luta de toros, o capim é que sofre.
Muitos gritam Paz, contudo no estômago nutre rancor, ganância.
Acarinhemos essa Paz, mesmo que minguante. É Paz de mira, porque ouve-se ainda no silêncio roubado, o som da pistola. Cirenes de carros policiais, circulando no nosso cérebro, roubando nosso sono. Ainda vivemos assombrados. Nada melhor que continuarmos, pelo menos, vivendo este tipo de Paz meio ameaçada que entrarmos mais uma vez no correr-corre.
Acarinhemos esta "Paz+inha", quem sabe um dia alcancemos a verdadeira Paz.
Por: Ñongolo Sinalo. In: muitos gritam Paz com o estômago de guerra! 2018
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