Há
duas décadas que moçambicanos se vêem na avidez de adquirir (a todo custo) um
diploma, um certificado de habitações literárias que lhe confira o grau de
Licenciatura. Homens e mulheres "guerreiam" (em pé de igualdade) na busca do diploma do ensino superior.
Geralmente,
os "caçadores" dos tais diplomas são estudantes que terminam o ensino
médio geral, privado, técnico profissional, bem como funcionários de diferentes
ministérios que pretendem aumentar o nível.
A
expansão das universidades por todas as provinciais, associada à diversificação
de cursos fazem com que candidatos não possam viajar às outras províncias para
continuar com os estudos universitários. Daí que, muitos candidatos encontram-se
a concorrer nos cursos presenciais e à distância nas universidades que
funcionam nas suas províncias de origem.
Com
efeito, a "caça" ao diploma, ou melhor, certificado atrela-se ao único
factor que se apelida: melhoria do salário. O custo de vida actual actua nos funcionários
de nível básico e médio como um elemento desafiador e a aquisição do diploma coexiste como boia de salvação. Terminada a formação de professores primários, os funcionários
apenas ficam dois anos no "campo", o terceiro entram na vertiginosa "caça"
ao diploma, sacrificando o mísero salário, todos os meses, durante anos a fio.
Entretanto, isso dá clara alusão que esses funcionários vivem um dualismo. Por exemplo, das
7 as 15 horas estão no serviço, a noite na universidade e depois em casa. Dá para
imaginar o nível de estresse...! Os que trabalham nos distritos e inscreveram-se
no presencial têm o desafio de viver num vai e vem, ou seja, serviço, carro,
universidade e casa, vice-versa. Porém, os que estão no à distância, todos os
finais de semana ou uma semana sim e outra não, (dependendo da modalidade
curricular) devem fazer-se presente na universidade.
Por isso mesmo que volvidas
duas décadas, Moçambique encontra-se com um efectivo de licenciados que supera o
poder de absorção dos mesmos para o quadro do pessoal. A meta de ingresso anual
de licenciados no Aparelho de Estado deixa a desejar. Porém, apesar de muitos
licenciados estarem ainda na busca do emprego, boa parte destes está no quadro,
pois a aquisição desse nível aconteceu quando em exercícios das suas funções no
ministério em que está afecto.
Todavia,
com elevado número de licenciados em Moçambique esperava-se que a qualidade na prestação
de serviços ao público (para funcionários de outros ministérios) levasse o
utente à satisfação e a qualidade de Ensino e aprendizagem (para professores)
fosse alcançada, pois um dos factores importante na educação é a formação "qualitativa"
do docente.
Portanto,
o que mais se observa é autêntico desfile de pessoas que têm como propósito o
alcance do diploma para atrair mais dinheiro, a meio a uma educação que forma
quadros com fundo oco.
Por: Timóteo
Ribeiro
Desejo
aos caros leitores um 2018 recheado de tudo de bom!
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