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Quando se trabalha ao serviço da falta

Não há quem não tenha medo e seu comportamento não altere ao ouvir que acaba de ser marcado falta a seu favor.

A falta carrega consigo cargas muito negativas. A falta pode enegrecer o  desempenho do funcionário, empobrecer a carreira e prejudicar todo um currículo.

Há instituições cuja cultura de trabalho é afável, os funcionários sentem-se socializados e a comunicação flui eficiente e favoravelmente a todos. Nessas instituições reina o tipo de liderança cooperativo, neste caso o líder, o gestor aprende e orienta seus colaboradores, num ambiente pacífico, pois há consciência comum do alcance dos objectivos. Este tipo de gestor sabe que o alcance de objectivos da instituição depende do esforço, da motivação, da entrega de cada um dos funcionários. Daí que, instituições como estas, o funcionário, mesmo doente leva seus medicamentos e vai administrando enquanto trabalha, ou melhor, por vontade própria, o funcionária sente-se comprometido com os desafios institucionais, mercê do ambiente, o calor que o trabalho oferece. Aqui a falta não ocorre e se ocorre é em situações graves.

Em contrapartida existem instituições, sobretudo, públicas onde ocorre monopólio. Os dirigentes dessas instituições trabalham de forma mecânica, despindo-se de todas as formas de humanismo. Aqui não há sensibilidade para com a dor alheia. Aqui os líderes funcionam como autênticos chefes. Esses só mandam e ditam (sem condições de trabalho) metas e ai de quem não as cumpre...
Nessas instituições, o atraso de apenas 5 minutos transforma-se na mais indelével falta. Vive-se que nem uma selva ou cenários do filme caça às bruxas.

O ambiente pesado, desmotivador, frustrante e enfadonho caracteriza esse tipo de instituições cujo líder é autoritário. Neste caso, o funcionário vê o posto de trabalho como banho obrigatório de estresse, local de desconforto, e seja por isso que, se calhar, em muitas destas instituições haja muito absentismo. Quando o funcionário se esforça e chega no posto de trabalho, imediatamente sente nostalgia de a casa regressar.
Enquanto o patrão procura por via da falta (as vezes ilícita) prejudicar o funcionário, este por sua procura com sucesso a mais ensaiada fórmula para sabotar o serviço, comprometendo, sem recuas, os objectivos, as metas institucionais.
Portanto, quando se trabalha ao serviço da falta e imediato processamento das mesmas, por sorte ou azar de um dia que a equipa que marca falta se ausenta, os funcionários fazem desfile, partindo da Praça dos Heróis de Libertação dos Oprimidos para desaguar no Livro do Ponto e depois marca-se tolerância de ponto.

Timóteo Ribeiro. Laissez faire! 2018

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